ICHITAMI SHIKANAI SENSEI.

Ele tem me inspirado desde os primeiros momentos com sua dedicação ao estudo do BUDO.
 
 
ICHITAMI SHIKANAI SENSEI além de ser um estudioso dedicado a prática do BUDO, ensinando AIKI-DO, JO-DO (Arte que lida com bastão e a espada), e IAI-DO (Arte que lida com a espada de metal) para muitos alunos no Brasil, é também um grande estudioso da Religião OOmoto-Kyo. Religião com a qual O-sensei estava profundamente envolvido através do desenvolvimento do AIKI e até seu falecimento.
 
Durante meu tempo com Shikanai-sensei eu o acompanhei em muitas viagens e participei de muitas demonstrações. Sensei costumava viajar para muitos lugares fazendo contato com pessoas do AIKI e da OOmoto-Kyo.
 
Uma das cidades que ele costumava ir com freqüência era São Paulo e a primeira vez que visitei aquela cidade eu o estava acompanhando, na verdade foi ele quem me mostrou a cidade. Eu costumava brincar dizendo que ele teve que vir do Japão para me apresentar São Paulo.
 
Em uma dessas viagens com Shikanai-sensei, tive a oportunidade de visitar o Templo da Omoto-Kyo na cidade de Jandira (estado de São Paulo), e o privilégio de ter um contato próximo com as boas pessoas daquele Templo.
 
Também lá, guiado por Shikanai-sensei dei meus primeiros passos no ensino de AIKI. Sensei tinha começado um grupo naquele local que treinava na sala do auditório do Templo.
 
Sempre que possível eu o acompanhava nas suas viagens ao Templo, e participava das aulas. Depois de acompanhá-lo por muitas vezes ele confiou-me a responsabilidade de ir até lá a cada duas semanas e supervisionar os estudantes, que durante os dias da semana e nos outros finais de semanas, treinavam sob a supervisão do senpai mais antigo entre eles.
 
Em Niterói, onde eu vivia, treinávamos todos os dias, incluindo sábados e domingos, havia treinos pela manhã e pela tarde, exceto nos domingos, quando os treinos eram só pela manhã.
 
Nas fins de semana em que eu ia ao Templo em Jandira, depois do último treino da sexta-feira eu costumava viajar no ônibus da meia-noite chegando em São Paulo por volta das seis horas da manhã, de onde então pegava um outro ônibus para Jandira.
 
No Templo, depois de me apresentar ao pessoal residente eu começava a arrumar os tatamis no assoalho do auditório. Treinavamos nos sábados e nos domingos. No domingo a noite, eu fazia o caminho inverso chegando em Niterói por volta das seis da manhã da segunda-feira, as vezes indo direto para o trabalho.
 
Fui sempre muito feliz em todas as ocasiões que visitei aquele templo. O ambiente e as boas pessoas da Omoto-kyo sempre me fizeram sentir muito confortável, e supervisionar as aulas de AIKI foi muito bom para meu processo de aprendizado.
 
Sempre que viajava com Sensei eu me sentia útil, forte e seguro. Sentia todas estas emoções num conjunto de humildade e orgulho.
 
Mesmo Sensei não sendo um homem idoso e não gostando muito do fato, eu sempre tentava carregar suas bagagens, sentia que era a coisa certa a fazer, me sentia bem por estar alí e estar participando daquele momento. Existia um silencioso sentido de propósito e um profundo respeito mútuo. Foi um tempo muito bom, eu era jovem e inexperiente, muito ansioso por crescer, por aprender e por me tornar em um bom AIKIDOKA.
 

Eu era dedicado e muito diligente, mas também muito exigente e ocasionalmente implacável em minhas convicções, o que é claro as vezes pode dificultar as coisas um pouco. Shikanai-sensei compreendia e lidava com minha ocasional inflexibilidade com grande habilidade, ajudando-me pacientemente.

 
Alguns anos mais tarde, bastante entristecido por ter que deixar meu Dojo e Shikanai-Sensei, porém levado pelo espírito da aventura e pela curiosidade, viajei para Los Angeles e lá no Los Angeles Aiki-Kai, um dos mais antigos Dojos dos Estados Unidos encontrei, Yoshida-sensei e Mizukami-sensei.
 
 
 
Carlos Nogueira.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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